VII Festival de Apartamento (São José do Rio Preto) - Registro Online das Performances Apresentadas

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Os Apartment Festivals foram criados pelos neoistas nos anos 80 como uma forma de realizar eventos internacionais de Performance Art nas próprias moradias dos artistas, abrindo mão da necessidade de recorrer aos órgãos oficiais. Num processo de apropriação dessa prática, desde 2007 uma série de eventos performáticos tem sido organizada por uma equipe interessada em adaptar os Festivais de Apartamento de acordo com as necessidades de uma nova geração de artistas, ansiosos por espaços livres para apresentação de performances e intercâmbio de experiências. Basicamente, para realizar um Festival basta um local, uma intenção e pessoas interessadas em apresentar e/ou assistir a performances.

A sétima edição do Festival de Apartamento foi realizada no dia 20 de Fevereiro de 2010, em São José do Rio Preto/SP, Brasil, na residência do ator e performer Gerrah Tenfuss, contando com a participação de artistas de São José do Rio Preto/SP, São Paulo/SP, Bauru/SP, Campinas/SP, Uberlândia/MG e Maceio/AL, num total de 13 apresentações bastante diversas em natureza e propostas.

A equipe de organização gostaria de agradecer a todos os performers que participaram do evento (especialmente os que se deslocaram de locais tão distantes) bem como ao público que esteve presente com a intenção de prestigiar os trabalhos.

Agradecimentos a Gerrah Tenfuss e família, por gentilmente cederem sua chácara, com uma menção especial para os tios do anfitrião, que foram vizinhos do festival, e além de não se importaram com o barulho de madrugada, ainda se divertiram e nos ajudaram em tudo o que precisamos.

Também queremos agradecer aos nossos fotógrafos Murilo de Paula e Juliana Merengue, que se desdobraram para fotografar diversas performances acontecendo ao mesmo tempo, nos propiciando um belíssimo registro, e ao Valquirio Correia, pela discotecagem.

E não podemos nos esquecer de agradecer ao Pitti, o cão maravilha, por inestimáveis serviços prestados à organização e ao festival.

VII Festival de Apartamento
(São José do Rio Preto)
Performance Art


Registro das Performances Apresentadas:
(listadas aproximadamente por ordem de apresentação; os textos foram enviados pelos performers em suas respectivas fichas de inscrição)

ATENÇÃO: Gostaríamos de pedir que as imagens veiculadas aqui não sejam reproduzidas em outros sites ou blogs sem a autorização dos respectivos artistas. E-mails e links de cada performer estão disponíveis para contato. Sabemos que esse parece um pedido ingênuo numa época em que imagens podem ser reproduzidas ao infinito, por vezes sem nenhuma preocupação com as pessoas fotografadas e o contexto em que suas imagens podem acabar sendo exibidas, mas apelamos para o bom senso e a ética que, teimamos em acreditar, ainda devem existir. Obrigado.


Rótulo - As Impressões do Corpo
Charlene Sadd (charlenesadd@gmail.com)

Rótulo é uma performance que surge no intuito de promover o entendimento da relação: Corpo e Imagem. Qual a imagem que temos de nós mesmos, frente ao espelho, frente aos outros, frente ao nosso desejo? Como pode ser possível termos propriedade de nossa imagem ante a relação abusiva e desconstrutiva do que é padrão de beleza na atualidade. O corpo social-cultural tem claramente forte domínio sobre o indivíduo, mas, como induzir a aceitação da nossa própria imagem quando tudo ou muita coisa ao nosso redor nos grita para que sejamos desfigurados. A questão é, como tornar o corpo-objeto, corpo-produto em corpo-sujeito? (Charlene Sadd)








Deslocamento Performativo
Andrez Leah (andrezgh@terra.com.br)
Vídeo Performance realizada em 2008, 2009 em aula na Comunicação das Artes do Corpo PUC-SP
Colaboradores: Diogo Polaroid; Romain Vicari; Carangosá; Caio Música Susabi Itsuroi; Karen Keppe.
Performers criadores: Andrez e Caio.
Referência artística: Oriana Duarte num trabalho do Coletivo Pernambucano Camelo

No cotidiano performativo, do movimento paralisado entre paredes criadas. Parado em movimento, repetição da náusea. O movimento que sugere a luz acender. O vigiado porteiro que vigia a porta. Movimento que denuncia o deslocamento do ar, assim passível de ser pego. O circuito se fechou. Estratégias, exercícios: Deslocamento performativo no cotidiano, do cotidiano. Testes: Propor deslocamentos que sugerem a observação do dispositivo. (Andrez Leah)





Geometria Sobre o Conforto
Felipe Bittencourt (felpochatt@hotmail.com)

Auto-agressão como possibilidade poética: Nesta performance utilizei o corpo e o espaço em que ele se encontrava para estabelecer uma situação. Escolhi o desgaste físico como argumento visual para discutir questões sobre a autoria voluntária e controversa da ação de um indivíduo que se agride repetitivamente. (Felipe Bittencourt)





Instantâneo Integral
Mary Vaz (madnesmary@gmail.com)

INSTANTANEO INTEGRAL é um processo criativo – performático - Essa carência que chamo de ir mais além, penetrar mais fundo no ser humano que sou. É um experimento, mas com algunns estruturas, de como me relaciono no lugar aqui no momento agora . "É parido por entre linhas, intervalos entre palavras e pensamentos, é - necessidades imediatas, porém provindas do espiríto-corpo". Como ser instantânea e ao mesmo tempo integral? Uma coisa anula a outra? Estamos para o momento? (Mary Vaz)





Liquefação Sexual II
Luiz Diniz (luizdiniz953@yahoo.fr)

O vídeo aborda de forma líquida uma relação sexual. As deformações criadas pela sua desconstrução vêm enfatizar uma metáfora orgásmica. É claro que o objeto em questão não busca a representação figurativa, é mais um trabalho com ondas e partículas flertando com o sentido do prazer. (Luiz Diniz)



Experimento com abacates
Cássia Nunes (cassianunesc@hotmail.com)

Proposição de um ambiente onde arte e ritual se aproximam a partir da repetição das ações ‘cobrir’ e ‘retirar’, nas suas diversas possibilidades, para a transformação do corpo e seus estados ao contato com o resultante da mistura ou consumo de outras matérias. (Cássia Nunes)




Ponto Paina
Ana Reis (anareisn@gmail.com)

Um papel branco é perfurado utilizando uma pequena máquina-ferramenta de criar formas redondas brancas, micropontos que, com saliva, são sobrepostos ao rosto e ao corpo. O espelho redondo, possível ponte entre externo e interno, reflexo do ver-se e do preparar-se para ser visto, intercala figura e paisagem. Painas, também brancas, esfregadas e espalhadas no vestido, tomam aderência enquanto são dissolvidas no vento, propagadas no espaço. Outro pequeno utensílio tenta apagar os vestígios da roupa como se pudesse desfazer o tempo. (Ana Reis)





Olhares
Arte na Garagem (rafaeluxsolaris@hotmail.com)
Thaís de Freitas, Luiz Diniz, Rafaelo J. Mattos

Transmissão ao vivo das performances apresentadas nesta edição do Apartment Arts. (Rafaelo J. Mattos)


Le Tourment

Kiko Andrade (pindaro_rp@hotmail.com)
Texto: Luciana Campos e Kiko Andrade
Produção: Luciana Campos

A obra aborda a inquietação humana perante o caos da pós modernidade, onde o sujeito como indivíduo perde a noção de identidade. Vivendo entre loucura e a realidade, a personagem vive em estado de sofrimento, alegria e liberdade. (Kiko Andrade)





Máscaras que se dissolvem
CCR – Centro de Criação de Ruídos (tiagospina22@gmail.com)
Tiago Spina e PR Taypa

O homem e suas múltiplas personas tentando ocultar sua sombra. (Tiago Spina)





pedra
Ludmila Castanheira (ludmilacastanheira@gmail.com)

uma tinha caminho do meio no caminho do meio no uma tinha um tinha caminho do meio no que esquecerei me nunca fatigadas tão retinas minhas de vida na acontecimento desse esquecerei me nunca uma tinha caminho do meio no uma tinha caminho do meio no uma tinha caminho do meio no (Ludmila Castanheira)







O Jogo
Núcleo UHUU de Pesquisa da Performance (performanceuhuu@gmail.com)
Multimída e Interartes – UNESP/Bauru
Felipe Matos Ohno, Thaís de Jesus Luquesi, Marília Marton, Emiliano Favacho, Fernanda Vasconcelos, David Calleja, Rosa Maria Araújo Simões, Juliana Brandt

O JOGO é o retrato de como o Núcleo UHUU entende performance. Nele, o público/interator irá participar ativamente e será o responsável por como a cena irá se desenrolar. As regras do JOGO serão esclarecidas antes do início da partida e quem decidir participar deve estar pronto tanto para ganhar, como para perder. (Núcleo UHUU)









Não quero mais morrer, não quero mais matar
Flávio Rabelo (flaurabelo@gmail.com)
Performer: Flávio Rabelo, o estranho
Texto: Hamlet Máquina, Heiner Muller
Música: Felling Good, Nina Simoni

Arrombo a minha carne lacrada. Quero habitar nas minhas veias, na medula do meus ossos, no labirinto do meu crânio. Retiro-me para as minhas víceras. Sento-me na minha merda, no meu sangue. N'algum lugar são rompidos ventres para que eu possa morar na minha merda. N'algum lugar ventres são abertos para que eu possa estar sozinho com meu sangue. Meus pensamentos são chagas em meu cérebro. O meu cérebro é uma cicatriz. Quero ser uma máquina. Braços para agarrar pernas andar nenhuma dor nenhum pensamento.

Esta ação é uma re-criação de Mel-o-drama II, da performer Thaíse Nardim; apropriada para o trabalho em processo "Estranho, eu não sou Hamlet", do projeto ,Corpoestranho, desenvolvido com a Zecora Ura Theatre Network (Flávio Rabelo)









mel-o-drama ROOTS
Thaíse Nardim (thaise.nardim@gmail.com)A incrível máquina de clichês românticos...

... brincando de boneca (Thaíse Nardim)





E, finalmente, entreatos, convívio e celebração:
E agradecimentos a todos que prestigiaram e colaboraram com a realização de mais um Festival de Apartamento






2 comentários:

tenfuss disse...

belo festival e fotos !

Centro de Estudos Afro Alagoano Quilombo disse...

muito legal, obrigado por publicar as fotos....