X Festival de Apartamento (Campinas/SP) - Registro das Performances Apresentadas

E assim chegamos ao décimo Festival de Apartamento em pouco menos de cinco anos de estrada. Uma edição que não foi planejada como comemorativa, mas acabou sendo. Não apenas por ter finalmente se realizado na casa do "padinho" do festival, o nobre Flávio Rabelo, que dividiu a função de anfitrião com os fiéis escudeiros Patrik Vezali e Emerson-Dia Arara, mas também por ter tido o maior número de inscrições até hoje (mais de 20) o que nos obrigou a fazer algo que sempre tentamos ao máximo não fazer: recusar algumas inscrições, simplesmente por terem sido enviadas tarde demais, às vésperas, quando nossa capacidade de lidar com tantos trabalhos simultaneamente já estava mais que tomada. (e vale lembrar que um dos objetivos do festival sempre foi não realizar nenhuma forma de seleção ou curadoria, aceitando todos os trabalhos inscritos sem impor nenhum critério - exceto, claro, a necessidade de que sejam performances possíveis de serem realizadas numa residência comum - deixando assim que o próprio festival em si, na sua mistura de performers, público e colaboradores, se encarregue de atribuir quaisquer juízos de valor, no calor do momento, na repercussão que se segue...)

Ainda assim, foi uma noite notável. Inúmeros trabalhos, tão diversos em conceitos, estéticas e objetivos, mas que, tanto em sua sucessão quanto em sua simultaneidade, mesclaram-se em formas inesperadas sob o escrutínio de um público mais do que disposto a nublar os limites entre executante e observador, seja tirando casquinhas, roubando garrafas d´água, enviando sms, comendo morangos, bebendo lágrimas, se desnudando, tocando ou sendo tocado... tomando partido.

E temos muito a agradecer, não apenas aos nossos (mais que) anfitriões, que se desdobraram em mil para cuidar de todas as necessidades do evento sem descuidar dos próprios trabalhos, mas também ao nosso fotógrafo oficial Murilo de Paula, sempre de olho nos ângulos mais inusitados, e ao grande Leandro Pena, que veio de São Paulo não apenas disposto a fotografar todo o festival mas também compartilhar seu trabalho conosco e com  todos os performers. Valeu demais!

E não podemos deixar de mencionar a pequena e determinada Beatriz Sampaio, que salvou a pátria sábado a tarde ao manobrar para fora da garagem uma kombe bastante temperamental que nenhum dos marmanjos presentes conseguia sequer dar a partida! É isso aí, Bia! Humilha mesmo!

E, finalmente, agradecemos e dedicamos essa décima edição do Festival de Apartamento à Poquinha, ao Bertold Brecht e à Fiori (na foto, performando) que, afinal, são os verdadeiros donos da casa. Sem a autorização deles nada disso teria sido possível. Como já dizia Neil Gaiman: "Quem dá ouvidos a tudo o que seu gato tem a dizer merece tudo o que tem".

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X Festival de Apartamento (Campinas/SP)
Arte da Performance 
02 / 07 / 2011

http://festivaldeapartamento.blogspot.com/
http://twitter.com/fest_apartament

 Organização:
Thaíse Nardim
Ludmila Castanheira
Rodrigo Emanoel Fernandes

Anfitriões:
Saudável Casa Subversiva - Campinas
Flávio Rabelo, Patrik Vezali, Emerson-Dia Arara

Fotógrafos:
Murilo de Paula
Leandro Pena

Registro das Performances Apresentadas
(listadas por ordem de inscrição, com sinopses enviadas pelos performers)

ATENÇÃO: Pedimos gentilmente que as imagens veiculadas aqui não sejam reproduzidas em outros sites ou blogs sem a autorização dos respectivos artistas. Os links para os sites, blogs ou e-mails de cada performer estão disponíveis abaixo para contato. Apesar de parecer um pedido ingênuo numa época em que imagens podem ser reproduzidas ao infinito, as vezes sem nenhuma preocupação com as pessoas fotografadas e com o contexto em que suas imagens podem acabar sendo exibidas, ainda assim apelamos para o seu bom senso. Obrigado.

nebulosasilenciosa
Grupo Zum
Campinas/SP
concepção e interpretação: Daniele da Silva Faria, Fernando Catto, Helena Tavares Gonçalves, Lucas Delfino, Luiz do Patrocínio, Mariana Jorge, Tatiana Loureiro Benone; artista plástico: Fabio Reis; compositor musical: Thiago Liguori; maquiagem e cabelo: Caio Sanfelice; câmera: Diogo Albuquerque; fotografa: Tamara Gigliotti; iluminação: Airton Cesár de Oliveira; direção geral: Marissel Marques

nebulosasilenciosa exprime desejos e segredos do corpo, explora enigmas e tabus das regras sociais e da cultura machista/moralista/conservadora.
Seguindo a intuição para um lugar escondido e inexplorado do corpo, os performers buscam a integridade corporal e uma rachadura na restrição da liberdade.




2:F33L 4:FR33 – Please make me real
T. Angel
Osasco/SP

2:F33L 4:FR33
busca discutir a relação homem versus ele próprio na sociedade contemporânea. O debate proposto pela ação não se predispõe a seguir num sentido apenas antagônico, mas busca passear pelas possibilidades múltiplas que nascem ou se constroem nesse processo.





 
  
Ação Sintomática
Limeira/SP

Ações naturais e humanas abordam o universo da maternidade por meio da repetição, procedimentos, sobreposição e transparência que agem como fatores de grande importância para a criação. Nesse caso, refere-se a doença e a cura apresentadas pelo roxo e o branco respectivamente, dentro desse universo.





IKEBANA+SALTO AGULHA
Rose Boaretto + João Matos
Salvador/BA

Ikebana + Salto agulha é o resultado da pesquisa de tangências poéticas, um encontro, em que através da relação com os mesmos objetos, as agulha e as flores, unem-se as poéticas.





O crime ou ...E viveram felizes para sempre
Campinas/SP

A CONSTRUÇÃO DE UM CRIME.




Passos SIS
Bruno Sipavicius
São Paulo/SP

Minha ação performática é fundamentada na auto-pintura a partir de um sistema simbólico de cores. Cada cor utilizada em meu corpo tem um sentido, ligado à razão, emoção, biologia e igualdade. A ação de se pintar é acompanhada com cantos e falas, às vezes cômicas, em alemão e em português.

 


Schadenfreude: alegria vinda do coração
Palmas/TO

Põe um dedinho na boca, A mão vai ao joelho Prepare o coração Porque essa dança é só pressão! (Funk Carioca - Cariocaholic)


 


quase todos nus
Mavi
São Paulo/SP

O corpo já no nível cutâneo se encontra muito mais vulnerável de seu existir: pode cair em tentação, amar brutalmente, violentar-se ao contentamento ou alegria e perder-se por inteiro. A pele, tato seu, intimidade... quem toca? quem doa? quem quer? quem quero?




SIMULADRO
Kleiner Kaverna
Campinas/SP

pesquisa imagética relacionada a semiótica peirceana e a psicologia analítica de Jung, resultante do processo individual de compreensão dos signo e arquétipos pessoais, para cosntrução e desconstrução de linguagens, atenta aos vestígios imagéticos e inconscientes, fluídos durante o processo.



Itajaí/SC
Leandro De Maman, Patricia Vianna, Sebastião Do Aragão

Performance via vídeo-conferência em que o performer com uma bomba-relógio projetada no peito aguarda mensagens via celular que justifiquem "porque viver?"


 


Maria Chorona
Márcia Baltazar
Campinas/SP

Por que não posso mostrar o choro? Por que não o frágil, o sensível? Por que temos sempre que sermos sensatos? Não é sentimentalismo. Não é sofrimento. É emoção. Incomodo? Será que esse texto é mais valorizado que meu choro? Vamos fraquejar por um instante?

 


todas as horas do fim
Flávio Rabelo
Campinas/SP

ação coletiva de teor experimental. os participantes assoviam juntos durante 5 minutos pensando em alguém que não está presente.

 


Cheio
Tatuí/SP

Digamos que um neurobiólogo lhe mostre uma fórmula genômica e lhe diga “Isto é você” - você depara objetivamente consigo mesmo. Não é precisamente nesse encontro com o “Isto é você” que se vivencia o buraco da subjetividade no que ele tem de mais puro?



 



Modelagem 5.0
Tábata Costa
com participação de Milene Valentir
São Paulo/SP

Garota toma banho de loja até ficar loira, bonita e gostosa.




ophélia esquiso-analisada
Flávio Rabelo e Patrik Vezali
Campinas/SP

Instalação performática em processo. Hamlet e Horácio exorcizam o fantasma de Ophelia brincando com plantas e bonecas quebradas no quintal.




Sweet Heart Valentine Lálálá
Palmas/TO

Uma performance da série mel-o-drama: autobiográfica, autorreferente, falando sobre amor do fundo do meu coraçãozinho, se jogando no chororô sem medo de ser feliz.



 


Gourmet (mel-o-drama)
São Paulo/SP

A ação dialoga com a série "Mel-o-Drama" da perfomer Thaíse Nardim. Acompanhei essa série de perto e de maneira muito pessoal, por isso o "Gourmet(mel-o-drama)" passa a ser um colocar-me do outro lado. Proponho um jogo onde o prazer é colocado a prova, não sem uma pitada de clichês românticos.




Pieza 1: Apócrifo
Pieza 2: Entre El placer y La inocencia
(Distrito Federal/México)
Pieza 1: Eren Blancarte, Verónica Cristiani, Juana Sabina Ortega, Esmeralda Pérez Tamiz, Marisol Pérez León, y Ruth Vigueras Bravo. Pieza 2: Eren Blancarte, Esmeralda Pérez Tamiz y Ruth Vigueras Bravo. Distrito Federal/México

Pieza 1: Desde uma primeira instância, pretende-se anteponer um contraste entre a pulcritud, a pureza e o suntuoso, com o profano, impuro e pagano. Partindo dos estereotipos ou clichés sociais actuais, que, apesar dos fenotipos diversos que marcam tendências em função da modernidad, não deixam de se reger em grande parte, pelos cánones de a modernidad, não deixam de se reger em grande parte, pelos cánones da moral e “bom comportamento” que delimitan ainda, instâncias religiosas cuja ideologia segue sendo a mesma que se profesaba desde épocas antigas. O corpo contrapõe-se como uma fonte de desejos, de prazeres, de emoções, de ficções, de realidades e convi. A atmosfera na qual prevalecerá a cor branca, remete à pureza do indivíduo e a insígnia da cruz alude ao conflito próprio do bem e do mau.



Pieza 2: Mediante a peça de performance confronta-se ao público com elementos antípodas (violência e prazer); por médio de uma crítica em função reflexiva meio à violência sexual na infância da qual se derivam certas condutas e traumas. Estas, se vêem refletidas na idade adulta somadas a comportamentos delictivos sócios a parafilias e se caracterizam por impulsos sexuais intensos, recorrentes fantasías que implicam objectos, actividades e situações pouco habituais. Nesta acção cria-se um universo em onde a variedad da vida se despliega e se celebra através de múltiplas relações comummente denominadas perversas. Contrapõem-se estes elementos à moral e às normas sociais estabelecidas. Neste sentido o universo da perversión joga com os limites da razão. Aceita uma ingenuidad interrompida empero que a sua vez rebasa a antinomia entre a inocência e culpabilidad. Uma inocência ontológica: a qualidade daquilo que não precisa justificativa, que não tem finalidade mais que sua própria intensidade. Freud menciona: “Existem casos de sexualidad infantil a temporã idade com condutas de masturbación entre outras parafilias sexuais.” No entanto, estes trastornos derivados de condutas sexuais autoeróticas a temporã idade aunada a circunstâncias violentas, produzem mal-estar clinicamente significativo ou deterioro social e baixa autoestima.

 


Ex-voto suscepto | #4
Marcos Fermino
Limeira/SP

A performance propõe uma leitura sobre a manifestação religiosa do presente votivo (ex-voto), através de elementos que remetem aos rituais e práticas corporais. A ação representa o voto feito aos deuses, combinando signos diversos, construídos a partir de experiências particularmente visuais.



conferência ou como evitar um dilúvio
Luísa Nóbrega
São Paulo/SP

Depois de um dia em silêncio, a performer inicia sua conferência. Sem interromper a fala, bebe o tempo todo inúmeros copos de água. a ação se prolonga até que a performer mostre-se incapaz seja de beber água, seja de falar. Choro, sangue, muco, urina e suor devem ser rigorosamente evitados.



 


Levando os elepês de Gal para passear
Arthur Scovino
Salvador/BA

Numa sexta-feira, andando pela Praça do Campo Grande em Salvador, percebi um movimento de fãs de Ivete Sangalo se aglomerando na entrada do condomínio onde mora a cantora. Lembrei dos anos 80 e do sucesso popular de Gal Costa, que mora no mesmo prédio. Frevos no carnaval, programas de TV, capas de discos... Imaginei os fãs de Ivete exibindo LPs pro alto, ilustrando e colorindo essa tietagem performática. Uma tarde dessas estarei lá com meus colegas da UFBA empunhando os discos de Gal em meio aos fãs de Ivete. Enquanto isso, levarei esses elepês para passear por onde eu for, para que respirem novamente os ares das ruas onde, nos anos 80, transitavam das lojas para as casas, das casas para as festas, para outras casas... Além da arte e da perfomance, confesso que essa ação consiste basicamente em algo que não cabe em mim sozinho e por isso divido, tornando-me exposição ambulante pelas ruas das cidades e convidando as pessoas para interAÇÕES originais onde quer que estejam e sem manual de instruções. A ação termina quando a musa lançar seu novo disco previsto para esse ano de 2011.

 


E, finalmente, entreatos, convívio e celebração:
E agradecimentos a todos que prestigiaram e colaboraram com a realização de mais um Festival de Apartamento.







Um comentário:

Rosane Felix disse...

Encontrei vcs... ainda bem que ouço meu gato! AME