XVI Festival de Apartamento (Maringá/PR) - Registro Online das Performances Apresentadas

Nos derradeiros momentos dessa sandice chamada 2017, eis que a gente consegue, enfim, disponibilizar o registro do XVI Festival de Apartamento (Maringá/PR). Antes tarde do que nunca, né, gente?
Esta edição contou, mais uma vez, com performers batutas e o carinho de muita gente empenhada em fazer o rolê acontecer. Agradecimentos especialíssimos ao polivalente Flávio Magalhães Rodrigues, que antes, durante e depois de tudo emprestou sua alegria, piruetas e boa vontade nas funções de arredar móveis, fazer corres em sua bike encantada, auxiliar performers e se jogar na faxina do dia seguinte. Querido, você é ponta firme, pedra de atiradeira, pé de bode, tudo quanto há de maravilhoso!
Um xêro também para Rodrigo Pedro Casteleira, cicerone gato da galera que veio de outras bandas, que arranjou um cantinho em sua casa pro povo dormir e voltou corajoso no dia seguinte pra ajudar a deixar tudo nos trinques. 
Para cada performer que compartilhou suas feridas de amor, políticas, bobagens potentes e fé nesse comboio de doido que é a performance, vai daqui o nosso chamego. E para Paulo Gustavo Simão e Giovana Ziroldo, nosso muito obrigado pelo olhar sensível que capturou essa noite através das lentes, com agilidade certeira para ir de uma ação a outra com o mesmo empenho. Vocês arrasam!
A Sapa Casa agradece às entidades, seres e forças que mantiveram a chuva longe, até o exato fim da última ação para depois mandar toda água necessária para lavar as almas, o chão, levar as energias que quisemos exorcizar. Viva nóis corredeira abaixo! (beijo, Sheila!).
Um salve ao público que nos visitou e se permitiu aos sacolejos, afagos, partilhas de universos tão intensos quanto específicos. E ao serumaninho que passou fita adesiva na tela da TV, agradecemos à oportunidade de descobrir como removê-la... Mas melhore, viu? 😉

Sem mais delongas, fique com as imagens dessa noite suspensa no tempo e no espaço em que o que não tem lugar, excede, borra, transpassa, mais uma vez, pôde emergir.



XVI Festival de Apartamento (Maringá/PR)
Arte da Performance
07/10/2017

Organização:
Rodrigo Emanoel Fernandes


Fotógrafos:

Registro das Performances Apresentadas
(listadas por ordem de inscrição, com sinopses enviadas pelos próprios performers)

ATENÇÃO: Pedimos gentilmente que as imagens veiculadas aqui não sejam reproduzidas em outros sites, blogs e redes sociais sem a autorização dos respectivos artistas. Os links para os sites, blogs ou e-mails de cada performer estão disponíveis abaixo para contato. Apesar de parecer um pedido ingênuo numa época em que imagens podem ser reproduzidas ao infinito, as vezes sem nenhuma preocupação com as pessoas fotografadas e com o contexto em que suas imagens podem acabar sendo exibidas, ainda assim apelamos para o seu bom senso. Obrigado.


Belo Horizonte/MG

Na vídeo performance Eu robô, Sara Não Tem Nome realiza ações que desconstroem e ressignificam seu cotidiano, discutindo questões como a objetificação do corpo feminino e a relação corpo-máquina.


Carne imprópria para consumo
Rodrigo
Maringá/PR

As categorias de beleza e consumo são embasadas sob um sistema burguês e branco, o que implica tanto no juízo de gosto como o gosto do juízo, a feiura, o nojo, o desejo ou o exótico. Deste modo, uma carne negra está a serviço e consumo de quem?

Macapá/AP

Tentativa de contenção de algo que não pode ser contido, o que não impede o trabalho repetitivo e pontual para tentar, pelo menos amenizar os afetos.


Conserva
Elle Carol (Coletivo (Si)mento Urbano)
Maringá/PR

“Transformar a própria vida é em alguma medida, conservar-se. Temos a ilusão contemporânea de que se apertarmos bem os nós, dosarmos bem a vida, a saúde, a alimentação, trabalharmos com prazer, iremos preservar, conservar-nos...mas conservar o que? será que ainda há vida em meio a tudo isso?”




Achei na Internet
Londrina/PR

“Achei na internet e Repeti” trata-se de uma apropriação de um vídeo chamado: “ENTREI NO BALÃO GIGANTE DE ÁGUA E OLHA SÓ O QUE ACONTECEU” que se tornou um viral da internet e usá-lo como proposição de uma experiência em performance coletiva e relacional.



Na cama com Madonna (s/ Madonna)
Leonardo Vinicius
Maringá/PR

Falar de sexo ainda é um tabu enorme em pleno século XXI, mas e falar de práticas sexuais e suas diversas possibilidades? Nessa cama, não tem Madonna, mas tem tanta abertura pra falar de sexo quanto a própria, aqui pode tudo!



As formas de dizer que te amo e objetos afiados - PARTE III
Kênia Bergo
Performer: Kênia Bergo
Anjos: Ana Wansovicz e Natan Gomes
Maringá/PR

"Costuro o infinito sobre o peito.
E no entanto sou água fugidia e amarga.
e sou crível e antiga como aquilo que vês:
Pedras, frontões no Todo inamovível.
Terrena, me adivinho montanha algumas vezes.
Recente, inumana, inexprimível
Costuro o infinito sobre o peito
Como aqueles que amam."
Hilda Hilst




“Espelho, espelho meu existe alguém mais…?”
Marina Tosti
Maringá/PR

A incessante busca de um corpo perfeito ditado pelas padronizações sociais em que o indivíduo é instrumentalizado e levado a uma extrema violência psicológica e física, por tentar preencher um VAZIO constante. Até que ponto o "eu sou bela" é justificável? Até preencher o vazio eterno...



Não vou ter que me engolir
Jones Vil
Maringá/PR

O que já disseram a você que foi difícil de engolir? No corpo diante um espelho revela uma imagem. Nossa imagem exposta aos outros cria-se uma identidade. A relação da nossa identidade com o outro se mastiga, mas se digere? Dessa vez eu não vou ter que me engolir.



Memórias, elas machucam?
Fernando Ponce
Maringá/PR

A proposta de expor memórias intimas tem a intenção de revirar e sacudir as sensações que estas causam. Lembrar e compartilhar é reviver fatos que ficaram no passado e que interferem diretamente no futuro.


Escombros
Cia L2
Náthali Abatti
Thainara Pereira
Londrina/PR

Performance desenvolvida a partir de fragmentos do espetáculo "Merci Camille", que estuda as esculturas e a vida da artista Camille Claudel.


Desolado
Gabriel Paleari
Londrina/PR

Solo desenvolvido através das esculturas de Camille Claudel. Um dialogo entre as esculturas "La niobide Blessée" (1906), "L' implorante" (1899), " Femme Accroupie" ( 1885), dessa forma, criando um elo entre vida e obra da escultora, e no espaço entre as esculturas se tornar presente o movimento.



delaranja II resíduos: umamãozinha
Cassiana Soares
Maringá/PR

Desfrute da persona delaranja nesta noite em traje sspaycial. Em exposição instalAção de resíduos.



Ilhas de Desordem
Cia Os Desagradáveis
Bruno Garcia, Cassia Pegoraro, Guilherme Gomes, Júlia Mansur, Letícia Pauline, Maria Clara Villela, Marina Lima, Mariana Chinchila, Mariana Corte Ferrari, Nathan Stuchi, Náthali Abatti, Thainara Pereira 
Londrina/PR

A Performance acontece no conjunto de artistas, que a partir dos seus altares sincréticos se relacionam e se desafiam entre seus medos, lutas e questionamentos. A performance ganha corpo, nosso corpo, nosso grito que torna o espaço um lugar sagrado, um lugar profano, um lugar onde nossos limites são ultrapassados, onde nossos sonhos e pesadelos ganham vida, um lugar que somos.



O Jardim dos Segredos
Galathea X
Maringá/PR

Confidências plantadas florescem em belos segredos compartilhados. Uma rede de declarações anônimas, colhidas em conjunto, mantendo o sigilo mesmo sendo sabido por mais pessoas.



suyno
Clayton Pinas
Maringá/PR

O abate corriqueiro transpira úmida e fétida carne salgada, no grosso mau agouro germina vácuo de terra não gozada, infértil arrebatada pelas peçonhentas caŕicias entre poros interseccionados abruptamente entre crateras submersas em ermo vegetal.



Veja como limpar resíduos 'inúteis' que se acumulam no...
MADDOX
Maringá/PR

Como limpar resíduos 'inúteis' que se acumulam no .... está para os olhos do performer em limpar o espaço em que circula. Uma ação de (des) organização do espaço em que ele transita.



Me Watching SpongeBob Say ''Pedro'' For Three Hours
São Paulo/SP

Durante 3 horas ininterruptas, Pedro Galiza permanecerá na ação de assistir à um trecho do desenho animado Bob Esponja dizendo ''Pedro'' de maneira repetida e incessante.
A ação é baseada no vídeo ''Me Watching SpongeBob Say ''Who'' For Five Hours'' da Youtuber Alyssa Goodman.



Soul Dessas
Aline Luppi Grossi
Coletivo (SI)mento Urbano
Maringá/PR

“Eu sei que o meu corpo te incomoda
Sinto muito, o azar é seu
Abre o olho, eu tô na moda
E quem manda em mim sou eu”.



Maria Sapatão
Nadyne Vieira
Maringá/PR

Profanação é com a Maria Sapatão.



Sra. Pietà
Giovanni Alberti e Maria Julia Esteves
Giovanni Alberti, Maria Julia Esteves, João Antonio Mosso Diniz, Patricia Caires
Londrina/PR

Sra. Pietà mostra o encontro entre corpos de ambos os sexos em uma relação ambígua e seus desdobramentos. A exploração do ato sexual ocorre sob rajadas d’água, até que a união de os estímulos densificam-se. Êxtase se torna agonia, depois que a limpeza afoga o amor e retira a natureza de seu ser.



Quando você nada pode fazer
São Joaquim de Bicas/MG

e QUANDO VOCÊ NADA PODE FAZER,
abra os braços, estique as veias,
acelere o sangue, tenha medo,
erre, respire o ar da sua respiração inúmeras vezes,
trabalhe, fique cansado,
morra, perca o controle,
ame, fale o que está claro,
corra, abrace,
dê um tapa leve na barriga do cavalo,
destrua as cercas, escale,
durma tarde, ouça as músicas difíceis,
olhe nos olhos, tenha um pouco de sorte,
beba suco para aliviar os rins, não confie,
desista, vença,
dê gritos paridos,
fuja, limpe a cena do crime,
não jogue o lixo pela janela, ouça a pessoa,
chore muito, acorde cedo,
coloque fogo na cozinha, convide a sombra pra passear pelo seu corpo,
derreta seu fígado, descanse,
não tente ficar vivo,
sinta a saudade terrível, atravesse a cerca,
insista apesar de, conserte,

Fernando Hermógenes
Novembro de 2015 para Outubro de 2017



CHÁ da CINA- 23
Bianca Cristina
Maringá/PR

A carne mais barata do mercado é a carne negra, logo, seu sangue é grátis, servido a gosto do cliente, prefere com açúcar ou adoçante?



Minério de Ferro
Londrina/PR

_ A pele fica mais fina. A carne se transforma e tenho a sensação de que é feita de outra matéria. Alguns olhos transpassam meu corpo. O que se vê? O que se quer ver? Sangue de dentro pra fora, de fora pra dentro. Imagem da santa e da banida. Magia de sangue.
_ Acordei desgastada, recorri ao sangue. Hidratada com a menstruação que sai de minha vagina exposta. Lavei com ela meu rosto e garganta. Quando o sangue volta à circulação me sinto forte como ferro.
_ Órgãos revestiam-se do metal que também abraçou o que, com medo, chamo agora de espírito. Meu espírito. O que diferencio da alma, tenho essa como algo mais constante ou permanente. O espírito é quase como a fragilidade que entre mulheres não se diferencia da força. Você sente o que vê ou só vê o que sente?
_ Chego agora a um ponto que me toma: frágil. Aqui volto à mulher menstruando em um pote e se desenhando em uma mesa pronta para o banquete. De repente me foge aquela escrita que desejava e que há pouco me conduzia. Isso porque me “perdi” desenhando uma memória. Tento remontar os detalhes.
_ Traço o cenário em um croqui começado à tinta e que agora continuo à sangue. É possível sombrear com a caneta ao desenhar, porém é mais frágil fazê-la com sangue.
_ Estes dois rabiscos, os quais insistimos em diferenciar como “texto” e “desenho”, possuem os mesmos contornos e as mesmas sombras em momentos distintos. O corpo não cabe em um croqui. Aqui fico eu, os outros e nossos encontros. Este “texto” já não se encontra com ele mesmo depois do meio da página. Carta a mim mesma.



O que acontece com as partes de nós que vazam pelo ralo
Lucas
Londrina/PR

A performance pretende abordar a morte por uma via não objetiva e pragmática.



sem título
Nathalia Diovanna
Londrina/PR




E, finalmente, entreatos, convívio e celebração:
E agradecimentos a todos que prestigiaram e colaboraram com a realização de mais um Festival de Apartamento.

2 comentários:

Jessica Gomes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jessica Gomes disse...
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